Redefinição do consumo inspira mudanças no mundo do vinho

Três anos depois, Riscal foi o primeiro vinho não francês a vencer uma competição em Bordeaux. Em 1864, Don Eloy Lecanda y Chaves funda a Bodega Vega Sicilia, em Ribera del Duero, também trazendo castas francesas para a região. Até meados do século XIX, os Champagnes eram extremamente doces com cerca de 150 gramas (ou mais) de açúcar na garrafa.

Mas, enquanto ganham força, ainda enfrentam preconceitos — tanto no paladar quanto na escuta. Muita gente torce o nariz, repete chavões, diz que “não gosta”, que “tem cheiro estranho”, que “não parece vinho”. Na última semana, me emocionei ao ler sobre o evento Sip of South America 2025, promovido pela Wine Enthusiast em Nova York. Pela primeira vez, o Brasil marcou presença com espumantes elaborados pelo método tradicional e Syrahs de Minas Gerais que surpreenderam sommeliers americanos.

🌱 Quais são as principais tendências sustentáveis no mundo do vinho?

O consumidor jovem quer saber de onde vem o que consome, seja um café, um chocolate ou um vinho. No universo dos vinhos, isso se venda de vinhos traduz em curiosidade sobre o terroir, o tipo de uva, o manejo da videira e até o impacto ambiental da produção. Eles preferem provar novos rótulos a repetir os mesmos, buscam conhecer a origem das uvas e entender os métodos de produção, bem como apoiar vinícolas com valores alinhados aos seus, como sustentabilidade, comércio justo e produção artesanal.

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Esse movimento não substitui as regiões clássicas, mas amplia o repertório e fortalece a diversidade do vinho mundial. Nesse contexto, cresce a valorização de regiões menos conhecidas e de variedades autóctones. O consumidor demonstra maior curiosidade por vinhos que expressem identidade e autenticidade. A ideia de “menos volume, mais qualidade” não significa, necessariamente, elitização do vinho, mas uma mudança de relação com a bebida. Após as viagens do navegador italiano Cristóvão Colombo no século 14, a cultura da uva e do vinho foram levadas às Américas. Os missionários espanhóis levaram a viticultura para onde hoje é o Chile e a Argentina em meados do século 16, e para a região da baixa Califórnia no século 18.

  • Na nova coluna para o Muito Gourmet, a sommelière Carol Souzah reflete sobre o impacto simbólico e sensorial que os vinhos de mínima intervenção, uvas autóctones e métodos sustentáveis estão provocando.
  • Em 1859, ocorreu o primeiro leilão público de seus vinhos, que perdura até hoje e serve de parâmetro para estabelecer os preços dos vinhos da safra.
  • Grande possuidor de terras, deu nome a vinhedos como, por exemplo, Corton-Charlemagne, na Borgonha.

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O futuro do vinho passa pela autenticidade e origem

Historiadores apontam que isso foi uma invenção dos cananeus, povo que habitava uma região do Oriente Médio e que introduziu esse recipiente propício para transportar vinho (e também outros produtos) no Egito por volta de 1.500 a. As ânforas foram usadas para transportar e armazenar vinho por séculos até quase a Idade Média. A insígnia destaca a diversidade da seleção, pensada para diferentes momentos de consumo, desde refeições em família a encontros entre amigos, com produtos que vão dos queijos e enchidos da montanha a opções de padaria, snacks e doces. A Aldi Portugal lança esta semana a Semana Temática dos Alpes, uma iniciativa que leva às lojas da insígnia uma seleção de produtos inspirados na gastronomia alpina, combinando sabores tradicionais da montanha com uma proposta acessível ao consumidor.

Hoje, a legislação ainda permite que vinho importado a granel, sobretudo de países vizinhos com excedentes estruturais, seja embalado em Portugal e colocado no mercado com menções que confundem o consumidor. Em muitos casos, surge rotulado como “Vinho de Portugal” ou com referências territoriais a regiões prestigiadas, mesmo quando 100% da matéria-prima é estrangeira. Esta prática fragiliza a imagem coletiva do setor, gera concorrência desleal e compromete a perceção de valor do vinho português.

No Brasil, onde a carga tributária sobre o vinho é elevada, esse debate ganha ainda mais relevância. O vinho precisa continuar sendo visto como alimento cultural, presente à mesa, nos encontros familiares e nos momentos de partilha, e não como um produto inacessível. Do ponto de vista produtivo, práticas sustentáveis e produções mais precisas podem, sim, elevar custos. No entanto, qualidade não está necessariamente ligada a preços altos, mas a equilíbrio, autenticidade e adequação ao consumo cotidiano. Para o consumidor, o conceito de “vinho sustentável” ainda pode parecer abstrato.

Seus vinhos logo caíram no gosto de Parker, recebendo altas pontuações, e, com isso, produtores mundo afora passaram a contratá-lo como consultor. Seu trabalho no Brasil fez com que a Merlot se tornasse uma das principais referências na vitivinicultura nacional. Vinhos brancos eram rotulados de Chablis, blends tintos de Bordeaux, espumantes de Champagne por produtores do mundo todo. Na década de 1940, porém, os críticos e empresários do ramo do vinho, Frank Schoomaker e Alexis Lichine, passaram a incentivar o uso do nome das variedades nos rótulos para facilitar o entendimento por parte do consumidor. No entanto, a prática só se tornou corriqueira nos anos 1960, quando Mondavi rotulou seus vinhos como varietais.

O conhecimento dos estrangeiros ajudou a desenvolver a vitivinicultura local. Seus ensinamentos foram cruciais para a evolução dos vinhos nos últimos anos e ele teve diversos seguidores, entre eles Michel Rolland. A vitivinicultura europeia sofreu muito durante as duas guerras mundiais, com vinhedos devastados (como em Champagne, por exemplo) e safras medíocres, além de toda a pilhagem alemã.

Seu trabalho fez com que hoje o Douro não fosse somente a fonte de excelentes Portos, mas de tintos grandiosos. Depois da passagem da filoxera na Europa em meados do século XIX, algumas castas foram consideradas extintas, entre elas, a Carménère, comumente usada no blend bordalês. Em 1994, um ampelógrafo francês, Jean-Michel Boursiquot ,em visita à vinha Carmen, no Chile, percebeu que a variedade conhecida como Chilean Merlot, na verdade era a Carménère. Assim começou a saga desta casta, hoje um dos símbolos da vitivinicultura chilena. Durante as décadas de 1970 e 80, surgem as principais associações de enólogos, sommeliers e enófilos no Brasil. Em 1993, a Associação Brasileira de Enologia promove a primeira Avaliação Nacional de Vinhos, evento que reúne os principais players da indústria nacional e que serve de parâmetro para avaliar sua evolução qualitativa, ano a ano.

Por volta de 1850, a vitivinicultura espanhola aflorou, especialmente em duas regiões, La Rioja e Ribeira del Duero. Luciano de Murrieta e Dom Camilo Hurtado de Amezaga, Marquês de Riscal, foram os pioneiros em Rioja. O primeiro queria copiar apenas as técnicas bordalesas, o segundo, o blend, e implantou castas francesas na região.

Naquele ano, depois de diversas safras fracas, a passagem do cometa foi tida como uma bênção e diversos produtores colocaram a data da safra nos rótulos. Considera-se que aquele ano foi o primeiro Vintage de regiões como Champagne em que comumente os vinhos são feitos com blends de diferentes safras. Uma das empresas que integram o ecossistema Argenta, a vinícola localizada em Flores da Cunha é referência na produção de vinhos e espumantes. A área dedicada à vitivinicultura é também um espaço de enoturismo, eventos, degustação e gastronomia.

Nele, o autor afirma que a vinha é a forma mais lucrativa de agricultura e detalha todos os processos, desde a poda até a colheita. Júlio César, um dos maiores estrategistas de guerra de todos os tempos, expande o Império Romano até a Bretanha. Nessa época, o imperador também define uma lei agrária e presenteia seus generais com terras na Gália, região recém-conquistada. Daí surgiriam os vinhedos Borgonheses chamados romanées, como o Romanée-Conti, por exemplo.